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Os professores, por José Luís Peixoto

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Artigo |15 Outubro, 2011

 

O mundo não nasceu connosco. Essa ligeira ilusão é mais um sinal da imperfeição que nos cobre os sentidos. Chegámos num dia que não recordamos, mas que celebramos anualmente; depois, pouco a pouco, a neblina foi-se desfazendo nos objectos até que, por fim, conseguimos reconhecer-nos ao espelho. Nessa idade, não sabíamos o suficiente para percebermos que não sabíamos nada. Foi então que chegaram os professores. Traziam todo o conhecimento do mundo que nos antecedeu. Lançaram-se na tarefa de nos actualizar com o presente da nossa espécie e da nossa civilização. Essa tarefa, sabemo-lo hoje, é infinita.

O material que é trabalhado pelos professores não pode ser quantificado. Não há números ou casas decimais com suficiente precisão para medi-lo. A falta de quantificação não é culpa dos assuntos inquantificáveis, é culpa do nosso desejo de quantificar tudo. Os professores não vendem o material que trabalham, oferecem-no. Nós, com o tempo, com os anos, com a distância entre nós e nós, somos levados a acreditar que aquilo que os professores nos deram nos pertenceu desde sempre. Mais do que acharmos que esse material é nosso, achamos que nós próprios somos esse material. Por ironia ou capricho, é nesse momento que o trabalho dos professores se efectiva. O trabalho dos professores é a generosidade.

Basta um esforço mínimo da memória, basta um plim pequenino de gratidão para nos apercebermos do quanto devemos aos professores. Devemos-lhes muito daquilo que somos, devemos-lhes muito de tudo. Há algo de definitivo e eterno nessa missão, nesse verbo que é transmitido de geração em geração, ensinado. Com as suas pastas de professores, os seus blazers, os seus Ford Fiesta com cadeirinha para os filhos no banco de trás, os professores de hoje são iguais de ontem. O acto que praticam é igual ao que foi exercido por outros professores, com outros penteados, que existiram há séculos ou há décadas. O conhecimento que enche as páginas dos manuais aumentou e mudou, mas a essência daquilo que os professores fazem mantém-se. Essência, essa palavra que os professores recordam ciclicamente, essa mesma palavra que tendemos a esquecer.

Um ataque contra os professores é sempre um ataque contra nós próprios, contra o nosso futuro. Resistindo, os professores, pela sua prática, são os guardiões da esperança. Vemo-los a dar forma e sentido à esperança de crianças e de jovens, aceitamos essa evidência, mas falhamos perceber que são também eles que mantêm viva a esperança de que todos necessitamos para existir, para respirar, para estarmos vivos. Ai da sociedade que perdeu a esperança. Quem não tem esperança não está vivo. Mesmo que ainda respire, já morreu.

Envergonhem-se aqueles que dizem ter perdido a esperança. Envergonhem-se aqueles que dizem que não vale a pena lutar. Quando as dificuldades são maiores é quando o esforço para ultrapassá-las deve ser mais intenso. Sabemos que estamos aqui, o sangue atravessa-nos o corpo. Nascemos num dia em que quase nos pareceu ter nascido o mundo inteiro. Temos a graça de uma voz, podemos usá-la para exprimir todo o entendimento do que significa estar aqui, nesta posição. Em anos de aulas teóricas, aulas práticas, no laboratório, no ginásio, em visitas de estudo, sumários escritos no quadro no início da aula, os professores ensinaram-nos que existe vida para lá das certezas rígidas, opacas, que nos queiram apresentar. Se desligarmos a televisão por um instante, chegaremos facilmente à conclusão que, como nas aulas de matemática ou de filosofia, não há problemas que disponham de uma única solução. Da mesma maneira, não há fatalidades que não possam ser questionadas. É ao fazê-lo que se pensa e se encontra soluções.

Recusar a educação é recusar o desenvolvimento.

Se nos conseguirem convencer a desistir de deixar um mundo melhor do que aquele que encontrámos, o erro não será tanto daqueles que forem capazes de nos roubar uma aspiração tão fundamental, o erro primeiro será nosso por termos deixado que nos roubem a capacidade de sonhar, a ambição, metade da humanidade que recebemos dos nossos pais e dos nossos avós. Mas espero que não, acredito que não, não esquecemos a lição que aprendemos e que continuamos a aprender todos os dias com os professores. Tenho esperança.

 

Artigo de José Luís Peixoto, publicado na revista Visão de 13 de Outubro de 2011

Cursos de ensino a distância, do IC

Estão abertas as candidaturas para os seguintes cursos, de ensino a distância, do Instituto Camões:

Curso de Especialização (creditados com ECTS)

  • 102_10 Curso de especialização pós-graduado em Cultura Portuguesa Contemporânea
  • 103_10 Estudos Pós-Coloniais: Atlânticos Sul
  • 105_10 Patrimónios de Influência Portuguesa

Cursos de Português para estrangeiros

  • 302_11 Portuguese for foreigners, level 1
  • 303_11 Portuguese for foreigners, level 2
  • 304_11 Português para estrangeiros, nível 3
  • 307_11 Português para Negócios

Cursos de Português para fins específicos

  • 305_11 Laboratório de Escrita Jornalística
  • 208_11 Laboratório de Escrita Criativa – Nível Avançado

Cursos de formação contínua de professores (creditados pelos CCPFC)

  • 202_11 MIPL2.0 Materiais Interativos para Português Língua Segunda na web 2.0
  • 203_11 Laboratório de Escrita Criativa – Nível Introdutório
  • 206_11 Meio Século de Literatura Portuguesa (1880-1930)
  • 204_10 Literaturas Africanas de Língua Portuguesa
  • 207_10 A Novíssima Poesia Portuguesa
  • 211_11 Formação de professores na e para a intercompreensão através de práticas colaborativas on-line

Mais informações encontram-se na página do Instituto Camões: http://www.instituto-camoes.pt

Portuguese among most popular business languages

Research by Bloomberg has found that the Portuguese language is the sixth most frequently used language in the world of business, in a study entitled ‘Most Used Languages in Business’.

Analysis carried out by Bloomberg studied 25 languages from all over the world, though excluding English.

Mandarin, the official language of China, emerged as the most widely spoken language in the world.

According to Bloomberg’s findings, Mandarin is spoken by 845 million people and is the second most widely spoken language within the business world, after English.

Within the world of international business Mandarin is followed by French, which was found to be spoken in 27 countries by a total of 68 million people.

 After French comes Arabic, with Spanish being the fifth most widely spoken language within the realms of deal-brokering, spoken in 20 countries by around 153 million Internet users.

Portuguese took sixth place, being spoken by 178 million people. Portuguese is the official language in eight countries and is used by some 82 million Internet users.

Portuguese is followed by Japanese and German, in 7th and 8th place, respectively.

Bloomberg’s ranking was carried out based on the number of people who use a language, the number of countries where it is the official language, cross-referenced with the official languages of the G20 countries.

Even though Mandarin is currently a key language within the business world, Leigh Hafrey, of the Massachusetts Technology Institute, explained on Bloomberg’s website why it will never surpass the English language, saying: “Just like the dollar continues to be the favourite currency [for business], English will remain the preferred language in the future.”

 Source: TPN

2011-09-12 08:09