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Celebração do Protocolo de Cooperação entre o Camões, I.P. e a Universidade de Heidelberg

Foi para nós uma enorme honra e alegria poder celebrar na passada sexta-feira, dia 6 de dezembro, o protocolo de cooperação existente entre o Camões, I.P. e a Universidade de Heidelberg. Esta parceria existe já desde os anos 30 e é inegável o papel que tanto o Leitorado de Português, como o Instituto Luso-Brasileiro têm desempenhado ao fazer desta instituição, reconhecida internacionalmente pela sua imponente tradição e qualidade, uma das mais antigas para os estudos lusófonos em espaço alemão.

Fomos recebidos por um dos Vice-Reitores, Prof. Dr. Óscar Loureda Lamas, linguista galego e responsável naquela instituição pela garantia da qualidade no ensino, que nos falou do grande afeto que nutre pela Língua Portuguesa e demonstrou o seu completo apoio e disponibilidade para fomentar as iniciativas a serem organizadas na Universidade de Heidelberg com vista à promoção da língua portuguesa e das histórias, literaturas e culturas lusófonas.

Este protocolo agora firmado confirma a parceria por mais três anos letivos.

Artigo na Página da Imprensa da Universidade de Heidelberg

Potencial dos Estudos Luso-Alemães no Contexto Europeu discute-se em Leipzig (9-11 de novembro de 2013)

Vai debater-se, entre os próximos dias 9 e 11 de novembro, o potencial dos estudos Luso-Alemães no Contexto Europeu. Esta iniciativa do Instituto de Romanística da Universidade de Leipzig, apoiada pelo DAAD, contará com a presença de investigadores Portugueses e Alemães, radicados na Alemanha ou em Portugal. Sob o mote “Do Minho, passando por Trás-os-Montes à Saxónia – construindo uma ponte cultural entre periferias”, os investigadores e os estudantes de graduação ou de pós-graduação em Estudos Portugueses irão debater aspetos culturais, identitários, linguísticos, educativos e políticos subjacentes a questões relacionadas com o conceito de “periferia”.

Diálogo de periferias. Leipzig 2013De acordo com a página Internet do evento, o workshop abordará questões como:

  • Como se (re)fazem, como se (re)constróem, como se (re)negoceiam  conceitos de identidade nacional própria e alheia, portuguesa ou alemã respetivamente, em tempos de mudanças e de crises económicas e culturais a nível global ?
  • Qual é – nesse processo – o papel da Europa como elemento unificador de identificação?
  • Qual é  o papel das regiões e do passado político como mitos para a construção de “sentido“?
  • Como se reflete essa construção de identidades no discurso literário?
  • Quais são as consequências socio-culturais (migração, escolha de estudos profissionais e universitários, ensino de línguas) e sócio-linguísticas (contato de línguas) produzidas pelo desenvolvimento europeu na última década?

Refira-se que esta iniciativa é coordenada e organizada por C. Döll e por Ch. Hundt, do Instituto de Romanística da Universidade de Leipzig. A participação é livre e o programa poderá ser consultado em http://identidades2013.jimdo.com/programa-programm/. O evento contará com a presença do Sr. Embaixador de Portugal na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio, que proferirá uma alocução acerca da temática no dia 10 de dezembro, pelas 18h00.

Já saiu o programa do X Congresso Alemão de Lusitanistas

LusitanistasVai realizar-se, entre os dias 11 e 14 de setembro, o X Encontro Alemão de Lusitanistas, que conta com o apoio do Camões, ICL e da Embaixada de Portugal em Berlim. Com secções de trabalho que se estendem entre a Linguística, a Didática, a Literatura, os Media, a Tradução e os Estudos Culturais, será o momento de reunir lusófonos e lusófilos na Universidade de Hamburgo.

A conferência plenária de encerramento, intitulada “Imagens do Português Língua de Herança na Alemanha”, estará a cargo de Sílvia Melo Pfeifer e de Alexandra Schmidt. Esta comunicação decorre do projeto “Imagens do (Ensino) Português no Estrangeiro“, desenvolvido entre 2011 e 2013, que contou com a participação dos docentes da Rede de Ensino Português na Alemanha a cargo do Camões, ICL.

Para aceder ao programa global, clique aqui.

 

Jardins de Infância de língua portuguesa em Berlim

Casa Azul – Maison Bleu
Jardim infantil bilíngue com as variantes
português-alemão e francês-alemão
Deutsch-Französische & Deutsch-Portugiesische Kita
Reinhardtstraße 31
10117 Berlin
Tel: (030) 2408 3164
Fax: (030) 8596 3491
Email: casa-azul@gmx.de
Site: http://www.eukita.de/index2.php

Cavalo-Marinho
Jardim infantil bilíngue português-alemão
Deutsch-Portugiesische Kita
Anklamer Str.46
10115 Berlim
Contacto/Ansprechpartner/in:
Teresa Paripovic (Diretora/Leiterin)
Tel: (030) 4849 1840
Fax: (030) 4849 1 40
Email: Teresa@Paripovic.de

Primavera
Jardim infantil bilíngue português-alemão
Deutsch-Brasilianische Kita
Glasgower Str. 25
13349 Berlin Wedding
Contacto/Ansprechpartner/in:
Paul Neumann
Tel.: 030-60944034
Email:kitaprimavera@gmail.com

Colónia, Aachen & Heidelberg – Conferências da Professora Doutora Perpétua Gonçalves

Quando? 24 de junho de 2013 pelas 16h /Onde? na sala VIII do edifício central (Hauptgebäude) da Universidade de Colónia Albertus-Magnus-Platz, 50923 Colónia.

Quando? 25.06.2013 um 10.00 Uhr / Onde? Institut für Romanische Philologie, Raum 103 – Kármánstr. 17-19, Aachen.

Quando? 25.06.2013 um 18.00 Uhr / Onde?  Institut für Übersetzen und Dolmetschen, Plöck 57a KS II, Universidade de Heidelberg, Heidelberg.

Resumo da palestra “Dinâmicas atuais da Língua Portuguesa em Moçambique“:  A independência de Moçambique, em 1975, trouxe para a língua  portuguesa uma vitalidade notável, que se manifesta não só no aumento do número dos seus falantes, mas também noutras dimensões da vida social do país.

Nesta palestra, depois de um enquadramento geral do português de  Moçambique numa dimensão sociolinguística, apresenta-se uma visão geral dos principais resultados da pesquisa já realizada sobre esta variedade do português, a nível das suas propriedades lexicais e gramaticais, assim como do seu contacto com as línguas locais bantu.

A finalizar, referem-se alguns desafios que se colocam atualmente à pesquisa sobre o português de Moçambique, com particular destaque para a a sua normalização e ensino.

Mosambik-Goncalves

„Wozu Dichter in dürftiger Zeit?” – Sérgio Vaz no Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões na Universidade de Hamburgo

Poeta Sérgio Vaz no ofício da palavra.
Poeta Sérgio Vaz no ofício da palavra.

“Para quê poetas em tempos de indigência?“ – Os versos de Friedrich Hölderlin podiam bem servir de epígrafe à obra de Sérgio Vaz, o poeta e ativista cultural que no dia 24 de maio de 2013 o CLP/IC recebeu no âmbito da Semana de Literatura Marginal em Berlim, Hamburgo e Colónia. Os organizadores do evento, Prof. Dr. Markus Klaus Schäffauer e Ingrid Hapke, apresentaram Sérgio Vaz ao numeroso público (cerca de 40 pessoas) que enchia a sala. Sérgio Vaz contou então como se tinha tornado poeta.

Terá sido com a leitura de D. Quixote de la Mancha que Sérgio Vaz tomou consciência de que não era tão louco quanto ele pensava, nem as pessoas ditas “normais” eram tão normais quanto elas pensavam. Mas, mais ainda do que isto, a leitura de Cervantes transformou-o numa pessoa feliz. A partir daí, foi compreendendo, à medida que ia construindo a “Cooperifa” ( um projecto socio-cultural na periferia de São Paulo), que a sua missão era levar poesia e livros a quem nunca tinha podido ler, e filmes e teatro a quem nunca tinha podido ver esses espectáculos. Ingrid Hapke tornou possível, com a sua eficientíssima interpretação (“Dolmetschen”), que o público alemão pudesse acompanhar a história de Sérgio Vaz.

Mais do que palestra sobre a sua obra, a sessão de Sérgio Vaz transformou-se numa verdadeira performance quando começou a ler os seus poemas. E como tal não tardou a ter resposta do público, que logo dedicou um poema ao “Senhor Vaz”. O momento do “testemunho” aconteceu também, pela voz de um jovem estudante alemão, que se apresentou e perguntou se sabiam onde é que ele tinha começado a gostar de poesia. Para espanto de muitos, informou que tinha sido na Cooperifa de São Paulo com Sérgio Vaz.

O patrono do Centro, o poeta Luís – também Vaz – de Camões, estará provavelmente a sorrir lá do céu…

„Wozu Dichter in dürftiger Zeit?” – Sérgio Vaz im  Centro de Língua Portuguesa/Instituto Camões in der Universität Hamburgo

 Am 24. Mai 2013 durfte das CLP/IC im Rahmen der Woche der Marginalen Literaturen in Berlin Hamburg und Köln den Poet und Kulturaktivisten Sérgio Vaz in Hamburg begrüßen. Die Organisatoren der Veranstaltung, Prof. Dr. Markus Klaus Schäffauer und Ingrid Hapke, präsentierten Sérgio Vaz dem großen Publikum (circa 40 Interessierte), welches den ganzen Raum einnahm.

Mit der Lektüre des D. Quichote de la Mancha soll Sérgio Vaz entdeckt haben, dass er nicht so verrückt war, wie er dachte und auch die “normalen” Menschen nicht so normal, wie sie dachten. Die Geschichte von Cervantes hat darüber hinaus Sérgio Vaz zu einem glücklichen Menschen gemacht. Es hat Sérgio Vaz auch dazu gebracht die “Cooperifa”( ein soziokulturelles Projekt in der Peripherie von Sao Paulo) zu gründen, die das Ziel hat, Menschen Literatur, Filme und Theater näher zu bringen, die nie die Chance hatten, mit ihnen in Kontakt zu treten. Ingrid Hapke brachte mit ihrer exzellenten Übersetzung die Geschichte von Sérgio Vaz auch dem deutschen Publikum nahe.

Als Sérgio Vaz anfing seine Gedichte zu lesen wurde der Vortrag über sein Leben und Werk zu einer Performance. Als solche hat das Publikum ihn auch wahrgenommen und ihm gleich eine Antwort in Form eines Gedichts gegeben mit dem Titel „Senhor Vaz“. Der “Beweis” für die Wirkung von Sérgio Vazs Projekt kam überraschender Weise von einem jungen deutschen Student, der sich vorstellte und dem Publikum erklärte, an welcher Stelle er angefangen habe Poesie zu mögen. Zur Überraschung von vielen war es in Sao Paulos Cooperifa mit Sérgio Vaz gewesen.

Der Patron vom Centro, der Poet Luís – ebenfalls Vaz – de Camões, hat wahrscheinlich lächelnd vom Himmel runtergeblickt…

[por Ana Maria Delgado – Centro de Língua Portuguesa de Hamburgo]

Prémio Camões 2013 atribuído a Mia Couto

Mia CoutoO vencedor do prémio literário mais importante da criação literária da língua portuguesa é o biólogo e escritor moçambicano autor de livros como Raiz de Orvalho, Terra Sonâmbula e A Confissão da Leoa . É o segundo autor de Moçambique a ser distinguido, depois de José Craveirinha em 1991.

A escolha foi decidida por um júri, que reuniu durante a tarde desta segunda-feira no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro e da Biblioteca Nacional, e de que fizeram parte, do lado de Portugal, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa Clara Crabbé Rocha (filha de Miguel Torga, o primeiro galardoado com o Prémio Camões, em 1989) e o escritor e jornalista (director do Jornal de Letras) José Carlos Vasconcelos. E também os brasileiros Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, e Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor e professor universitário moçambicano João Paulo Borges Coelho e o escritor angolano José Eduardo Agualusa.

Nascido em 1955, na Beira, no seio de uma família de emigrantes portugueses, Mia Couto começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actual Maputo). Integrou, na sua juventude, o movimento pela independência de Moçambique do colonialismo português. A seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974, interrompe os estudos e vira-se para o jornalismo, trabalhando em publicações como A Tribuna, Tempo e Notícias, e também a Agência de Informação de Moçambique (AIM), de que foi director.

Em meados da década de 1980, regressa à Universidade para se formar em Biologia. Nessa altura, tinha já publicado, em 1983, o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.

“O livro surgiu em 1983, numa altura em que a revolução de Moçambique estava em plena pujança e todos nós tínhamos, de uma forma ou de outra, aderido à causa da independência. E a escrita era muito dominada por essa urgência política de mudar o mundo, de criar um homem e uma sociedade nova, tornou-se uma escrita muito panfletária”, comentou Mia Couto em entrevista ao PÚBLICO (20/11/1999), aquando da reedição daquele título pela Caminho.

Em 1986 edita o seu primeiro livro de crónicas, Vozes Anoitecidas, que lhe valeu o prémio da Associação de Escritores Moçambicanos. Mas é com o romance, e nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992), que Mia Couto manifesta os primeiros sinais de “desobediência” ao padrão da língua portuguesa, criando fórmulas vocabulares inspiradas da língua oral que irão marcar a sua escrita e impôr o seu estilo muito próprio.

“Só quando quis contar histórias é que se me colocou este desafio de deixar entrar a vida e a maneira como o português era remoldado em Moçambique para lhes dar maior força poética. A oralidade não é aquela coisa que se resolve mandando por aí umas brigadas a recolher histórias tradicionais, é muito mais que isso”, disse, na citada entrevista. E acrescentou: “Temos sempre a ideia de que a língua é a grande dama, tem que se falar e escrever bem. A criação poética nasce do erro, da desobediência.”

Foi nesse registo que se sucederam romances, sempre na Caminho, como A Varanda do Frangipani (1996), Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (2002 – que o realizador José Carlos Oliveira haveria de adaptar ao grande ecrã), ou O Outro Pé da Sereia (2006). A propósito dos seus últimos livros, A Confissão da Leoa (2012), mas particularmente Jesusalém (2009), o escritor confessou algum cansaço por a sua obra ser muitas vezes confundida com a de um jogo de linguagem, por causa da quantidade de palavras e expressões “novas” que neles aparecem.

Paralelamente aos romances, Mia Couto continuou a escrever e a editar crónicas e poesia – “Eu sou da poesia”, justificou, numa referência às suas origens literárias.

Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os Prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012).

Nas anteriores 24 edições do Prémio Camões, Portugal e Brasil foram distinguidos por dez vezes cada, a última das quais, respectivamente, nas figuras de Manuel António Pina (2011) e de Dalton Trevisan (2012). Angola teve, até ao momento, dois escritores citados: Pepetela, em 1997, e José Luandino Vieira, que, em 2006, recusou o prémio. De Moçambique, fora já premiado José Craveirinha (1991) e, de Cabo Verde, Arménio Vieira (2009).

Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e actualmente com o valor monetário de cem mil euros, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum.

[in Público, de 27 de maio de 2013]

“Vaga de emigração coloca novos desafios ao ensino português no estrangeiro”, afirma Doutora Ana Paula Laborinho à Renascença

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Presidente do Instituto Camões fala também, à Renascença, do polémico acordo ortográfico, para dizer que pode haver muito trabalho que terá de ser revisto.

A nova vaga de emigração portuguesa levanta novos desafios ao ensino português no estrangeiro, afirma a presidente do Instituto Camões, o organismo do Ministério dos Negócios Estrangeiros responsável pelo ensino do português além-fronteiras.

Em entrevista à Renascença, Ana Paula Laborinho considera que é “necessário pensar em alternativas que possam responder a estes movimentos migratórios mais recentes, porque são distintos de outras situações que nós conhecíamos”.

E será preciso haver um reforço de professores fora de Portugal? “Temos que encontrar modalidades. Penso que houve alguns projectos, mesmo projectos virtuais, que outros países também utilizam para responder a esse tipo de necessidades”, responde a presidente do Instituto Camões.

Nesta entrevista à Renascença, Ana Paula Laborinho fala do polémico acordo ortográfico para dizer que poderá haver muito trabalho que terá de ser revisto, porque durante as duas décadas de discussão a língua mudou.

Numa altura em que prepara os trabalhos da segunda conferência internacional da língua portuguesa, que terá lugar em Outubro, em Lisboa, a responsável pela gestão do Instituto Camões admite que continua apostada em tornar o português uma língua de trabalho das Nações Unidas.

Ouvir a entrevista em http://rr.sapo.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=25&did=107364.